domingo, 13 de outubro de 2013

mútuo

será tão mútuo que quando eu acordar amanhã vou parecer cinza, como aquela pedra em que você tropeçou e que desfez teu pé rosa em milhões de partículas desnecessárias para o chão.

chão, pedra, partícula, fragmento, texto.

teu colo, eu colo, colado, cantado, surrado.

e achei essa fibra negra, de teu cabelo ondulado, abandonado na prateleira junto aos livros do sartre, do llosa, do nabokov e do hesse, como se fosse esse fio condutor de energia entre discrepâncias e memórias cancerígenas, essa falta de tudo para fazer descansar a ansiedade pelo nada.

algo tão desnecessário quanto a gente, não nós, mas sim essa gente que fede a humanidade.

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